Prioridade, planejamento… futuro.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014 | 14:08

Outro dia conversava com um amigo, amigo mesmo, e ele radiante por ter adquirido um carro zero quilômetro. Na hora perguntei qual a outra razão desta alegria e ele na lata falou: “Precisa de outra? Todo brasileiro quer ter um carro zero para passear com a família, trabalhar, mostrar para o vizinho que não é só ele que tem condição e eu também”. Ponderei. “Meu amigo, o prazer é seu ou apenas quer mostrar? Como assim? Ele perguntou. “Apenas acho que o prazer tem que ser nosso e não dos outros!” Fui mais além. “Quanto você pagou pelo carro”? E o seguro? Planejou o quanto ele vai custar em seu orçamento? Na lata ele respondeu. “Não”! Esse é o maior problema, não só desse meu amigo mais também de muitos brasileiros que acham que estar endividado é um mal de toda a sociedade… E até dos governos. Trazendo para essa discussão lembro que qualquer governo, sério, claro, deve ter prioridades para mostrar que de fato o foco principal é quem os colocou lá. O povo. Nesta semana fiquei indignado quando li, e vocês leram também, a ajuda que o governo brasileiro ofereceu para Cuba investir em um porto. Tenho visto também o aumento de médicos Cubanos, por exemplo, que fazem parte do Programa do Ministério da Saúde, Mais Médicos, estão chegando a nosso país. Pelo que sei já somam mais de um milhar. Li recentemente que o Brasil é o 8º, segundo a Unesco, com mais analfabetos adultos. Presenciei também que o PIB (Produto Interno Bruto) de 2013 foi considerado pibinho pela sua tímida desenvoltura (quase nada). Bom, vou parar por aqui para não chegar às lagostas do Maranhão, os shows deste verão em nossas cidades da região ($$)… Nós não temos, há muitos anos, prioridades e planejamento e é por isso que patinamos, patinamos, gastamos, reclamamos e… Nada.  Nós precisamos, e não é nenhuma novidade, participar mais destas decisões e promovermos as manifestações necessárias para um Brasil, que começa nas cidades, melhor. Ah, quanto ao meu amigo, aquele do carro novo, ele parcelou o financiamento em 72 prestações de R$ 831, 23, disse que não tem condições de pagar o seguro e atualmente, casado com quatro filhos, tem um salário de R$ 2,5 mil/mês. Já a esposa, nutricionista, está desempregada desde novembro último. Agora eu quero comparar: qual a prioridade desse meu amigo? E da Presidente do Brasil e seus governantes?

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1 Comentário em "Prioridade, planejamento... futuro." Adicionar Comentário
Marcus Stradiotto (Marcão)
30 de janeiro de 2014 at 14:36

Boa tarde…
Caro Douglas, li e reli seu texto e observo que sua estória é a de muitos santistas e brasileiros por aí. Hoje é mais cômodo comprar um carro, e não precisa ser zero, pode ser um meia vida, pois está “barato”, as condições de financiamento são mais “flexíveis”. Mas esse comportamento chama a atenção para o seguinte: Onde iremos enfiar toda esta frota, que cresce a cada dia? Onde haverão vagas de estacionamento e espaço físico para tráfego?
A resposta é de assustar: Em breve, na verdade muito breve, não haverá mais espaço nem para estacionamento e nem para tráfego.
Santos já está ficando saturada de carros, motos e caminhões. A cada dia que passa, vemos mais e mais campanhas publicitárias convocando o povo a comprar veículos. Não é incomum termos feirões onde, inclusive podemos comprar a preço de fábrica.
Na verdade estou expondo esse pequeno prólogo, para entrar em um assunto muito mais importante e alarmante. Assim como o trânsito em nossa cidade está a beira do colapso, assim também o sistema de transporte público.
Outro dia, em um programa de rádio, o Fifi dizia que, hoje Santos tem em sua frota de ônibus coletivos, 30 ônibus adaptados com ar condicionado e Wi-Fi.
Pois bem, como usuário de transporte público, digo que não há 30 ônibus assim em circulação, com toda a certeza. Pode ser que haja na frota, mas não em circulação.
Observo que os prefixos dos ônibus são os mesmos de sempre, e isso é facilmente identificável, pois só 4 linhas receberam estes veículos, 155,154, 152 e 156, sendo que a linha 152 e 156 têm os ônibus maiores com o piso rebaixado.
Pergunto, se há 30 ônibus, onde estão os outros? Por que não são divididos em outras linhas pela cidade?
Outra coisa que chamo a atenção, e o senhor, como usuário de transporte público, pois já lhe vi várias vezes pegando ônibus, por que em todos os outros veículos automotores é estritamente proibido andar sem cinto de segurança e justamente no ônibus isso é ignorado, desde o motorista?

Caro Douglas, não tenha como pessoal qualquer crítica minha, pois admiro seu trabalho como apresentador e gostaria de dizer o mesmo ao final do seu mandato. Lhe tenho em alta estima e espero que o você reflita nisso que expus aqui. Sei que refletirá, pois, assim como eu, você é homem de princípios.
Luto por uma cidade melhor para nós, e olha que não sou natural de Santos (kkkk). Espero um futuro melhor para esta cidade que se fez meu lar, que me acolheu. Quero retribuir tudo de bom que me aconteceu aqui nesses 20 anos.

Um transporte público decente e com preço justo, pode ser a solução para o tráfego abarrotado de nossa cidade. Olhe para Curitiba, nos tempos do Lerner, a coisa começou pelo transporte público e se estendeu para todos os lados.

Espero que possamos lutar juntos por uma cidade melhor, por uma Santos mais santista.

Um fraterno abraço.

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