Ladrão rouba bolsa e negocia com vítima a devolução: ‘A senhora vacilou’

sexta-feira, 13 de outubro de 2017 | 11:00

Uma moradora de Santos, no litoral de São Paulo, tentou negociar com um ladrão a devolução de uma bolsa que foi roubada de dentro do carro dela no bairro Jardim Piratininga. O local, segundo munícipes, é alvo de constantes ocorrências. A conversa ocorreu pelo celular, que também foi levado pelo criminoso.

A autônoma Rosângela Rosa de Oliveira, 49 anos, foi entregar uma encomenda para uma cliente que mora na Rua Francisco Russo da Silveira. Ciente de que a região é alvo de criminosos, ela permaneceu no carro até que a mulher abrisse o portão. Assim que foi recebida, ela desceu do veículo e entrou no imóvel.

“Eu fiquei de olho. Eu sai, tranquei o carro e entrei no quintal dela. Foi questão de minutos. Esse rapaz apareceu, conseguiu abrir meu carro e levou a minha bolsa. Não deu tempo da gente fazer nada e eu nem consegui ver a cara dele”, conta. No momento, ela diz ter ficado assustada e bastante nervosa, mas queria recuperar os bens.
Assim que se acalmou, ela utilizou o telefone de uma conhecida para ligar para o próprio celular, que estava na bolsa roubada. “E para a minha surpresa, o ladrão atendeu. Eu comecei a falar com ele, de que tudo ali era meu. Ele descreveu e eu confirmei. Eu disse que queria de volta as minhas coisas e ele me pediu ‘calma'”.

Segundo Rosângela, ele pediu para retornar em 20 minutos. “Na outra ligação, ele disse que me devolveria as coisas que não tinham valor. Pedi o celular e ele me respondeu: ‘Celular dona? Eu não vou te devolver. Nem o dinheiro. Isso é de valor para mim. Eu sou usuário de droga’. Daí eu comecei a pedir meus documentos apenas”, relata.
A autônoma falou com ele em três ligações distintas. “No final, ele prometeu que iria me devolver. Ele ficou falando todo tempo comigo como se fosse meu amigo. Ele disse pra mim: ‘a senhora vacilou, mas vai receber tudo de volta. Você não vai receber ‘o de valor’. Sou ladrão, mas eu tenho palavra'”, diz.

A negociação por telefone terminou quando eles marcaram em um ponto de encontro às margens da Via Anchieta, nas proximidades do bairro. Ela ficou lá por 2h, mas o ladrão não apareceu. “Eu desisti e só depois eu percebi o risco que corri. Saí de lá para registrar a ocorrência e para bloquear os meus cartões e o celular”, conta.

A indignação de Rosângela vai além, pois, segundo ela, os moradores do bairro onde ela foi assaltada pedem por segurança. “Eu tenho conhecidos lá e eles estão abandonados. Eles mesmos avisam uns ao outro sobre pessoas suspeitas. Não tem ronda, não tem polícia, não tem nada. Os roubos estão sendo diários por ali”, lembra.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que vai analisar os relatos dos moradores para readequar as rondas do patrulhamento preventivo, principalmente nos horários e locais de maior incidência criminal no bairro, onde foram presas 151 pessoas entre janeiro e agosto, segundo dados oficiais.

“A Secretaria de Segurança de São Paulo ressalta a importância do registro dos boletins de ocorrências, pois a partir dele são adotadas medidas em combate à criminalidade, tanto de investigação quanto de planejamento para o policiamento preventivo”, informou, ainda na nota.

Fonte: G1

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