Vizinhança comemora obra no Viaduto Mário Covas e pede interdição total

sábado, 14 de outubro de 2017 | 14:36

A proibição do tráfego de ônibus e caminhões no Viaduto Mário Covas, na Vila Margarida, em São Vicente, a partir deste domingo (15), devido às obras para eliminar o risco de desabamento da estrutura, deixou a vizinhança aliviada. Afinal, há anos os moradores sofrem com a tremedeira do elevado toda vez que um veículo pesado passa por lá.

Os reparos foram determinados pela Justiça após a Ecovias entrar com uma ação contra a Prefeitura de São Vicente por causa da demora no início dos trabalhos, conforme revelou A Tribuna na quinta-feira (12). Há três anos a concessionária que administra a Rodovia dos Imigrantes, cuja pista passa embaixo do viaduto, alerta para os problemas nas vigas.

Em 15 de setembro deste ano, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou em ofício à Prefeitura que uma nova vistoria, no dia 5 daquele mês, havia constatado que três pilares de sustentação de um dos apoios do viaduto estavam “seriamente comprometidos, com risco iminente de colapso e queda parcial do tabuleiro sobre a rodovia”.

O juiz Fabio Francisco Taborda, da Vara da Fazenda Pública de São Vicente, atendeu ao pedido da Ecovias em 22 de setembro e mandou a Prefeitura começar a fazer as adequações necessárias em até 30 dias. Entretanto, a Administração Municipal alegou “impossibilidade técnica, financeira e procedimental” para recuperar a estrutura do viaduto. Com isso, a concessionária se comprometeu a fazer as obras, que começam na segunda-feira (16), e depois irá cobrar os custos. Isso vai provocar a mudança no itinerário de 24 linhas intermunicipais já a partir deste domingo (17).

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O medo de a estrutura ruir é tão grande que há moradores sonhando com interdição total e, até, a retirada do elevado. A diarista Sônia Torres, de 58 anos, dona de uma casa ao lado do viaduto, por exemplo, botou a boca no trombone.

“Já que vão mexer, deveriam colocar tudo abaixo e deixar como era antigamente: a rua livre. Antes tínhamos acesso à Rua Marquês de São Vicente, onde aos domingos podíamos fazer a feira livre. Era bom para o comércio também. Hoje, do jeito que está, toda vez que passo pelo viaduto tenho medo de a estrutura cair na minha cabeça”.

O auxiliar de serviços gerais Ezio Amaral, de 20 anos, concorda: “Sempre que passa ônibus ou caminhão pelo viaduto, dá uma tremedeira danada nas ruas próximas. É perigoso”.

A desempregada Grazieli Cardoso, de 29 anos, sempre teve a comodidade de pegar o ônibus na frente de casa, a poucos metros do viaduto. Com a proibição do tráfego para veículos pesados, ela não sabe para qual ponto terá que se deslocar. Mesmo assim, comemorou a obra.

“Não pegar o ônibus na frente de casa vai me atrapalhar. Principalmente por ter uma bebê de apenas 4 meses. Mas é uma questão de segurança. É melhor fazer isso do que esperar uma tragédia”.

Mesma opinião tem o pedreiro Francisco Antônio, de 53 anos. “As pessoas que pegam ônibus perto do viaduto reclamarão, mas é uma obra importante. É melhor andar até um outro ponto do que morrer um monte de gente por causa de desabamento”.

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Interdição total

Diante da precariedade do Viaduto Mário Covas, alguns moradores gostariam de ver o local interditado também para veículos leves e vans. Porém, questionada sobre os riscos com o fluxo destes veículos, a Prefeitura, por meio de nota, tratou de acalmar a população.

“Os laudos técnicos iniciais indicam que, no primeiro momento, não é necessária a restrição a veículos leves. No entanto, iniciados os trabalhos, se houver necessidade, outras medidas serão estudadas”.

A Ecovias diz que o reordenamento do trânsito foi feito pela Prefeitura. As obras terão início na segunda-feira e durarão 30 dias.

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